Carlos Malainho, presidente do conselho de administração dos Transportes Urbanos de Braga, quer dotar a empresa de uma nova dinâmica através da modernização ds serviços e da frota. O objectivo é criar mais linhas de sucesso como a 43, que liga a estação à Universidade do Minho.

Com 28 anos de existência, os Transportes Urbanos de Braga

(TUB) transportam 10,5 milhões de utentes/ano e percorrem 5,5 milhões de quilómetros. A frota de 116 viaturas, com uma

idade média de 14 anos, permite oferecer 75 linhas e liga as 1779 paragens dispersas pelas 62 freguesias do concelho. Carlos

Malainho, presidente do conselho de administração da empresa,rejubila com o sucesso da linha 43 (Estação CF-Universidade), mas admite quehá muito a fazer no sentido de captar cada vez mais bracarenses e adaptar a empresa às novas exigências quer de mercado, quer ambientais.

Qual foi a evolução dos TUB desde a sua fundação até hoje?

Os transportes colectivos surgem em Braga em 1882, através da exploração privada de duas linhas sobre carris (o chamado “carro americano”, com tracção animal),que ligavam a estação de caminhos de ferro ao recém-inaugurado elevador do Bom

Jesus do Monte. Em 1914, os “americanos” (e também os a vapor) são substituídos pelos eléctricos, e em 1948 a edilidade bracarense adquire autocarros Leyland para completar a rede de eléctricos urbana, criando circuitos cidade/periferia. Em 1962,

a chegada dos troleicarros dita a extinção dos eléctricos. No ano de 1968 a Câmara Municipal concessiona novamente a rede a privados, mas em 1982 readquire a concessão da rede e funda os actuais TUB, que até 1999 funcionaram como

serviços municipalizados e desde então como empresa municipal. Como encaram o desafio de criarem frotas menos poluentes?

Esse desafio existe desde 2000, quando fomos pioneiros na aquisição de veículos a gás natural para frotas de transporte público. Depois fizemos algumas experiências com híbridos, e em 2006 fomos uma vez mais pioneiros

com a introdução do biodiesel na frota de veículos a gasóleo.

De que forma irão responder aos novos desafios económicos e de exploração?

Preparamo-nos para avançar, em 2011, com a total reestruturação da rede de transporte colectivo. É o projecto mais ambicioso e, em nosso entender,a principal resposta para os desafios que se nos colocam. A rede em Braga tem um perfil essencialmente interurbano, existindo ainda uma margem de progressão no interior do perímetro urbano que queremos potenciar.

Qual tem sido o crescimento do volume de negócios?

Tem crescido, de forma residual, sobretudo fruto do aumento das tarifas e dos apoios concedidos pela CMB, pois tem-se verificado uma perda contínua de passageiros, algo que queremos inverter com a citada reestruturação.

Os estudantes universitários têm forte expressão no universo de utentes...

Sim, são um dos principais segmentos. Sobretudo desde a criação da linha 43,em Fevereiro de 2009, entre a estação e a universidade, e a criação do passe sub23@superior.pt, instituído pelo governo e ao qual aderimos.

Quais os marcos mais importantes na vida da empresa?

Sem dúvida alguma o momento mais significativo em termos de modelo de exploração foi a criação dos TUB,em 1982, e o sucessivo alargamento a todas as freguesias do concelho de Braga, num total de 62. Constitui a rede de transportes municipais mais abrangente do continente, se exceptuarmos, obviamente, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, cujas redes de transporte são apoiadas a 100% pelo Estado Português.

Qual é a actual taxa de utilização?

Considerando apenas o concelho de Braga, com cerca de 170 mil habitantes, temos perto de 23 mil assinaturas

mensais (passes), ou seja, uma taxa de utilização de 13,5%, sem contar com os bilhetes ocasionais e pré-comprados.

A Volvo tem sido um dos parceiros preferenciais...

Sim. Foi sempre um dos principais parceiros e o principal fornecedor entre a segunda metade da década de 80 e toda

a década de 90. Em 2000 passámos para um segmento de frota mais pequeno, fruto da quebra de passageiros, e optámos por outras marcas, pois a Volvo não era tão competitiva nesse segmento. Quando concorreu com o chassis B7R, voltou a tornar-se competitiva, estando os TUB muito satisfeitos com o seu desempenho em termos de consumos, de fiabilidade mecânica, da lotação, da comodidade e, claro, das questões do foro ambiental.

Pensam aumentar a expressão da Volvo na vossa frota?

Quando voltarmos ao segmento do chassis B7R, adaptado a urbano, teremos decerto em conta a excelente experiência que tivemos até agora. Porém, iremos avançar a curto prazo com a compra de minibus, um tipo de veículo ainda não existente na nossa frota mas adequado a certos períodos da oferta que está a ser preparada. Tendo a Volvo ofertas competitivas no segmento, obviamente que serão avaliadas.

Como se estão os TUB a preparar para o futuro?

O grande projecto é a reestruturação da rede – quase como uma cirurgia ao coração –, pois é o cerne do funcionamento de toda a empresa. É claro que implicará toda uma mudança de paradigma, incluindo novos erviços e mais e melhor comunicação com o público.


texto publicada na revista TRAÇO ÚNICO, propriedade da AUTO-SUECO.

 

 

 

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